Você passou o dia ocupada, resolvendo coisas, respondendo mensagens. Finalmente deita, apaga a luz e, em vez de descanso, vem uma enxurrada: a conversa que ficou mal resolvida, a conta para pagar, a reunião de amanhã, algo que você disse anos atrás. O corpo está cansado, mas a mente parece ligar no volume máximo. Se isso acontece com você, saiba que é muito comum, e que há formas de cuidar disso.

Por que a ansiedade aparece justamente à noite?

Durante o dia, a atenção está ocupada com tarefas, pessoas e estímulos. À noite, esses estímulos diminuem e as preocupações que ficaram “na fila” ganham espaço. Além disso, deitar no escuro, sem nada para fazer, é um dos poucos momentos em que ficamos a sós com nossos pensamentos.

Outro fator é o próprio medo de não dormir. Depois de algumas noites ruins, a cama pode virar sinal de alerta: “e se eu não conseguir de novo?”. Esse pensamento ativa o corpo, o que torna o sono ainda mais difícil, e o ciclo se repete.

Sinais de que a ansiedade está afetando o seu sono

  • demorar muito para pegar no sono por causa de pensamentos repetitivos;
  • acordar de madrugada já preocupada e não conseguir voltar a dormir;
  • coração acelerado, tensão no corpo ou inquietação ao deitar;
  • checar o celular, a agenda ou o relógio várias vezes;
  • acordar cansada, mesmo depois de horas na cama.

Dificuldades de sono também podem ter outras causas, como dor, alterações hormonais, apneia, uso de medicamentos ou substâncias. Se a insônia é frequente e persistente, vale conversar com um médico.

Tirar as preocupações da cabeça antes de deitar

Uma estratégia simples e usada na TCC é reservar alguns minutos, no começo da noite e longe da cama, para escrever o que está preocupando. Para cada item, você pode anotar o próximo passo possível, mesmo que seja “pensar nisso amanhã às 10h”. A ideia não é resolver tudo, mas mostrar para a mente que o assunto não foi esquecido.

Se a preocupação voltar quando você deitar, você pode dizer a si mesma, com gentileza: “isso já está anotado, eu volto a isso amanhã”.

Criar um ritual de desaceleração

  • Diminuir as luzes e as telas cerca de uma hora antes de dormir.
  • Manter horários parecidos para deitar e acordar, inclusive nos fins de semana.
  • Evitar cafeína no fim da tarde e observar o efeito do álcool, que pode piorar a qualidade do sono.
  • Fazer algo calmo e repetitivo: um banho morno, uma leitura leve, alongamento suave.
  • Respirar devagar, com a expiração um pouco mais longa que a inspiração, por alguns minutos.

Se você está há muito tempo deitada sem conseguir dormir e ficando cada vez mais agitada, pode ajudar levantar, ir para outro cômodo com pouca luz e fazer algo tranquilo até o sono voltar. Assim, a cama volta a ser associada ao descanso, e não à luta.

E quando os pensamentos insistem?

Tentar “não pensar” costuma ter o efeito contrário. Uma alternativa é observar os pensamentos como se fossem nuvens passando, sem entrar em discussão com eles: “estou tendo o pensamento de que amanhã vai dar tudo errado”. Essa pequena distância ajuda a perceber que um pensamento é um pensamento, e não um fato.

Se a mente costuma ir sempre para o pior cenário, leia também Pensar sempre no pior: o que está por trás da mente catastrófica.

Quando procurar ajuda

Vale buscar acompanhamento quando a dificuldade de dormir se repete por semanas, quando a preocupação ocupa grande parte do dia ou quando o cansaço começa a afetar o trabalho, os estudos e as relações. A TCC tem estratégias bem estudadas tanto para a ansiedade quanto para a insônia, e o processo pode ajudar a entender o que mantém esse ciclo.

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Fontes e referências

NHS — Insomnia

Organização Mundial da Saúde — Anxiety disorders

Beck, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.