No começo, parece diferente. Depois de alguns meses, você percebe: de novo alguém indisponível, de novo a sensação de estar sempre se esforçando mais, de novo o medo de ser deixada. As pessoas mudam, mas o enredo se repete. Se isso acontece com você, não é falta de sorte nem “dedo podre”. Pode ser a força de padrões emocionais que vale a pena compreender.

O familiar parece seguro, mesmo quando machuca

Nossas primeiras experiências de vínculo ensinam o que esperar das relações: se o amor é estável ou imprevisível, se é preciso conquistar atenção, se mostrar necessidades é seguro. Esses aprendizados ficam registrados como uma espécie de mapa emocional.

Na vida adulta, tendemos a nos sentir atraídos pelo que é familiar. Alguém que repete a distância emocional que conhecemos pode despertar uma química intensa, justamente porque ativa um roteiro antigo. Já alguém disponível e estável pode, no início, parecer “sem graça”.

O papel dos esquemas

Na Terapia do Esquema, falamos em esquemas: temas emocionais que se formaram quando necessidades importantes não foram suficientemente atendidas. Alguns aparecem com frequência nas relações:

  • Abandono: a sensação de que as pessoas vão embora a qualquer momento. Leia mais sobre medo de abandono.
  • Privação emocional: a expectativa de que ninguém vai realmente cuidar de você.
  • Defectividade: o medo de que, se a pessoa conhecer quem você é de verdade, vai rejeitá-la.
  • Subjugação: colocar as vontades do outro sempre à frente das suas.

Três formas de repetir o padrão

Os esquemas costumam se manter de três jeitos:

  • Escolher parceiros que confirmam o esquema, como alguém que realmente se afasta.
  • Interpretar situações neutras como confirmação: um atraso vira prova de desinteresse.
  • Reagir de formas que acabam provocando o que se teme: cobrar demais, testar a pessoa, se afastar antes de ser deixada.

Nada disso é consciente ou proposital. São formas de proteção aprendidas que, hoje, acabam mantendo o sofrimento.

Perguntas para perceber o seu padrão

  • O que as pessoas com quem me envolvi têm em comum?
  • Em que momento da relação começo a me sentir mal?
  • O que eu costumo fazer quando sinto medo ou insegurança na relação?
  • Como me sinto diante de alguém disponível e consistente?
  • Essa sensação me lembra algo da minha história?

É possível construir relações diferentes

Perceber o padrão já é um passo importante, mas, muitas vezes, não é suficiente, porque o esquema fala mais alto no calor do momento. Mudar envolve reconhecer as necessidades por trás do padrão, tolerar o desconforto do que é novo e praticar outras formas de agir, como comunicar o que sente em vez de testar o outro.

Na Terapia do Esquema, a própria relação terapêutica funciona como um espaço seguro para experimentar novas formas de se vincular. Leia também sobre dependência emocional e ciúme.

Fontes e referências

Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

International Society of Schema Therapy (ISST) — Schema Therapy

Young, J. E.; Klosko, J. S. Reinventing your life. New York: Plume, 1994.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.