Você se preparou para a entrevista e não foi chamada. Planejou o fim de semana e choveu. Esperava uma resposta e veio um não. A frustração é a emoção que aparece quando a realidade não corresponde ao que desejávamos ou esperávamos. Ela faz parte da vida de todos, mas, para algumas pessoas, pesa muito mais e pode virar raiva, desânimo ou autocrítica.

O que é frustração

Frustração é a reação a um obstáculo entre nós e algo que queremos. Ela pode vir como irritação, tristeza, desânimo, impaciência ou vontade de desistir. Em si, ela não é ruim: sinaliza que algo importava e pode motivar a buscar outros caminhos.

O desafio está em como lidamos com ela.

O que é tolerância à frustração

Tolerância à frustração é a capacidade de sentir a frustração sem que ela tome conta de tudo. Pessoas com baixa tolerância tendem a viver contrariedades como algo insuportável: “isso não podia ter acontecido”, “eu não aguento”, “é sempre comigo”.

A tolerância à frustração começa a ser construída na infância, quando aprendemos a esperar, a perder e a lidar com limites. Se você tem filhos, leia sobre birra e criança que não aceita perder. Mas ela pode continuar sendo desenvolvida na vida adulta.

Quando a frustração vira culpa

Para pessoas muito autocríticas, cada frustração vira uma prova de incapacidade: “não fui chamada porque sou ruim”, “o plano deu errado porque eu não me organizei direito”. Em vez de sentir a decepção e seguir, a pessoa passa a se atacar. Isso transforma uma emoção passageira em sofrimento prolongado.

Na Terapia do Esquema, isso pode estar ligado a padrões muito elevados e a um crítico interno forte. Leia sobre o crítico interno.

O que pode ajudar

  • Nomear a emoção: “estou frustrada porque isso era importante para mim”.
  • Dar um tempo antes de reagir: decisões tomadas no auge da frustração tendem a ser impulsivas.
  • Separar o que depende de você: o que estava sob seu controle e o que não estava?
  • Rever as expectativas: elas eram realistas? Eram suas ou de outras pessoas?
  • Trocar o “deveria” pelo “eu gostaria”: “eu gostaria que tivesse dado certo” é mais gentil que “isso deveria ter dado certo”.
  • Pensar no próximo passo possível, quando a emoção baixar.

Quando procurar ajuda

Se as frustrações costumam virar crises de raiva, desânimo prolongado ou autocrítica intensa, ou se o medo de se frustrar faz você evitar tentar coisas novas, a psicoterapia pode ajudar. Se você está diante de uma frustração específica, como um projeto que não deu certo ou uma mudança de planos, o aconselhamento psicológico pode ser um bom espaço para reorganizar o caminho.

Fontes e referências

Beck, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.