É a hora de ir embora do parque, e ele se joga no chão. Perdeu o jogo de tabuleiro, e as peças voam. No mercado, o “não” para o doce vira choro alto, com todo mundo olhando. A birra é uma das situações que mais desafiam pais e mães, e muitas vezes desperta vergonha, raiva e a sensação de não saber o que fazer. Entender o que está acontecendo ajuda a responder melhor.

O que é a birra

A birra é uma explosão emocional que acontece quando a criança sente uma emoção intensa, como frustração, raiva, cansaço ou decepção, e ainda não tem recursos para lidar com ela de outra forma. É mais comum entre 1 e 4 anos, mas pode aparecer depois, especialmente em momentos de cansaço, fome ou mudanças.

A parte do cérebro responsável por frear impulsos e organizar emoções ainda está em desenvolvimento. A criança não está “manipulando” na maior parte das vezes; ela está sobrecarregada.

Como agir na hora

  • Cuide da segurança: afaste objetos perigosos e impeça que ela se machuque ou machuque alguém.
  • Mantenha a calma possível: respire antes de responder. Sua calma ajuda a criança a se acalmar.
  • Nomeie a emoção: “você está muito bravo porque queria ficar mais no parque”.
  • Mantenha o limite: “eu entendo, e mesmo assim agora vamos para casa”.
  • Use poucas palavras: no auge da emoção, explicações longas não são ouvidas.
  • Ofereça presença: algumas crianças aceitam colo; outras precisam de um pouco de espaço, com você por perto.

Gritos, ameaças e punições físicas tendem a aumentar o medo e a intensidade das emoções, e não ensinam a criança a lidar com elas.

Depois que passa

Quando a criança estiver calma, vale conversar de forma breve: o que aconteceu, o que ela sentiu, o que pode fazer da próxima vez. Para crianças pequenas, isso pode ser tão simples quanto “quando você ficar bravo, pode apertar a almofada ou me chamar”.

Criança que não aceita perder

Perder um jogo é uma frustração pequena, mas, para a criança, pode parecer enorme. Aprender a perder é parte do desenvolvimento da tolerância à frustração. Algumas ideias:

  • jogar com frequência, em clima leve, para que perder vire algo comum;
  • mostrar como você lida com a própria derrota: “que pena, eu queria ganhar, vamos jogar de novo?”;
  • não deixar a criança ganhar sempre;
  • valorizar o esforço e a diversão, e não só o resultado;
  • acolher a frustração sem mudar a regra do jogo.

Para adultos que também têm dificuldade com frustrações, leia Como lidar com a frustração sem se culpar.

Como prevenir algumas birras

  • antecipar transições: “daqui a cinco minutos vamos embora”;
  • cuidar de sono e fome, que deixam a criança mais vulnerável;
  • oferecer escolhas possíveis: “quer ir de mão dada ou no colo?”;
  • manter rotinas previsíveis.

Quando buscar apoio

Se as birras são muito frequentes, intensas, duram muito tempo, envolvem agressões ou continuam fortes em idades mais avançadas, vale conversar com o pediatra e considerar uma avaliação. E se você sente que está perdendo o controle com frequência, a orientação parental pode ajudar. Leia também Limites e acolhimento.

Fontes e referências

UNICEF — Positive parenting vs. strict parenting

UNICEF — Positive parenting

Siegel, D. J.; Bryson, T. P. O cérebro da criança. São Paulo: nVersos, 2015.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.