Você não decide nada sem saber o que sua mãe acha. Sente culpa quando faz algo só para você. Se ela está mal, você fica mal, e não consegue separar uma coisa da outra. Às vezes, nem sabe direito do que gosta ou o que quer da vida. Muitas pessoas chamam isso de relação “muito próxima”. Na Terapia do Esquema, quando essa proximidade dificulta ter uma identidade própria, falamos de emaranhamento.

Este texto fala de mãe porque é a situação mais comum, mas o emaranhamento pode acontecer com o pai, avós, irmãos ou qualquer pessoa muito central na criação.

O que é o emaranhamento

O esquema de emaranhamento/self subdesenvolvido envolve um envolvimento emocional excessivo com uma ou mais figuras importantes, a ponto de prejudicar a construção de uma identidade própria. A pessoa sente que não consegue sobreviver ou ser feliz sem o apoio constante dessa figura, ou sente que as duas são quase uma só.

Proximidade e amor não são o problema. O problema é quando não há espaço para a diferença: pensar diferente, querer outra coisa, ter uma vida própria.

Como pode aparecer

  • culpa intensa ao tomar decisões que a família não aprovaria;
  • dificuldade de saber o que você quer, gosta ou pensa;
  • sentir as emoções da outra pessoa como se fossem suas;
  • contar tudo, e sentir que esconder algo é traição;
  • conflitos com parceiros por causa da presença constante da família;
  • sensação de vazio ou de não saber quem é quando está longe.

Como se forma

O emaranhamento costuma se formar quando, na infância, a autonomia não foi suficientemente incentivada. Às vezes, um dos pais estava sozinho, sobrecarregado ou emocionalmente frágil, e a criança passou a ocupar um lugar de confidente, companheira ou cuidadora. Outras vezes, a superproteção não deixou espaço para experimentar e errar.

Isso não significa que a família fez por mal. Muitas vezes, havia amor e muita dificuldade ao mesmo tempo. Compreender a origem serve para cuidar do presente, e não para buscar culpados.

Construir autonomia sem romper o vínculo

  • Começar por decisões pequenas: escolher algo só a partir do que você quer, e observar o desconforto sem voltar atrás imediatamente.
  • Descobrir seus gostos: experimentar atividades, estilos e ideias novas.
  • Diferenciar emoções: “minha mãe está triste” não significa “eu preciso ficar triste ou resolver isso”.
  • Colocar limites com afeto: é possível amar e, ao mesmo tempo, ter uma vida própria. Leia Por que eu não consigo dizer não?.
  • Tolerar a culpa: no começo, ela aparece com força. Ela não é prova de que você está errada.

E se você é o pai ou a mãe?

Se você percebe que tem dificuldade de deixar seu filho, inclusive adulto, seguir o próprio caminho, isso também pode ser cuidado. Leia Como colocar limites para um filho adulto e conheça a orientação parental.

Como a terapia ajuda

Na Terapia do Esquema, trabalhamos a construção de uma identidade própria, a culpa e as necessidades por trás do vínculo, para que a relação possa continuar existindo com mais espaço para os dois lados. Conheça os 18 esquemas.

Fontes e referências

Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

International Society of Schema Therapy (ISST) — Schema Therapy

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.