Os filhos cresceram, mas a relação nem sempre acompanhou essa mudança. Às vezes, o filho adulto mora em casa sem participar das tarefas, depende financeiramente sem perspectiva de mudança, ou ainda espera que os pais resolvam seus problemas. Outras vezes, são os pais que têm dificuldade de deixar de cuidar como antes. Colocar limites nessa fase é delicado, mas pode ser uma forma de amor.
Uma relação entre adultos
A relação com um filho adulto precisa ser renegociada. O papel dos pais deixa de ser o de quem decide e controla, e passa a ser o de quem apoia e convive. Isso vale para os dois lados: o filho também precisa assumir responsabilidades de adulto, de acordo com suas possibilidades.
Hoje, muitos jovens adultos moram com os pais por mais tempo, por razões econômicas, de estudo ou de saúde. Isso não é, por si só, um problema. O desafio é construir uma convivência justa para todos.
Quando a falta de limites pesa
- os pais se sentem sobrecarregados, usados ou ressentidos;
- o filho não participa da casa nem planeja o próprio futuro;
- decisões e problemas do filho continuam sendo resolvidos pelos pais;
- conflitos frequentes por dinheiro, horários ou tarefas;
- os pais deixaram de lado os próprios planos.
Como construir combinados
- Converse em um momento calmo, e não no meio de uma briga.
- Fale de necessidades, e não de acusações: “preciso de ajuda com as tarefas da casa” em vez de “você não faz nada”.
- Seja específico: o que, quando e como. “Lavar a louça do jantar de segunda a sexta” é mais claro que “ajudar mais”.
- Combine também as contribuições financeiras, quando possível, mesmo que simbólicas.
- Estabeleça prazos e revisões: “vamos conversar de novo daqui a três meses”.
- Combinem entre os responsáveis antes, para evitar mensagens diferentes.
Apoiar sem resolver tudo
Às vezes, por amor, os pais resolvem problemas que o filho poderia resolver: ligam para o banco, pagam a conta atrasada, falam com o chefe. No curto prazo, isso alivia. No longo prazo, pode dificultar o desenvolvimento da autonomia. Uma alternativa é perguntar: “como você pensa em resolver isso? Em que posso ajudar?”.
E a culpa?
Colocar limites costuma gerar culpa, especialmente em pais que se sentem responsáveis por tudo o que acontece com os filhos. Mas limites claros ajudam a relação a ser mais honesta e menos ressentida. Leia também Por que eu não consigo dizer não?.
Quando há sofrimento emocional
Se o filho está com depressão, ansiedade intensa ou outro sofrimento, os combinados precisam considerar o que ele consegue fazer naquele momento. Leia Filho adulto com depressão morando em casa.
A orientação parental também é para pais de filhos adultos: um espaço para pensar a relação, construir combinados possíveis e cuidar das emoções que essa fase desperta.
Fontes e referências
Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.