A casa está cheia, o celular tem mensagens, o trabalho é cheio de gente. Mesmo assim, existe uma sensação de que ninguém realmente vê você. Você está presente, conversa, ri, mas, por dentro, se sente sozinha. Essa experiência é mais comum do que parece, e merece ser levada a sério.

Estar só não é o mesmo que se sentir só

Estar sozinha é uma situação: ninguém por perto. Sentir-se sozinha é uma experiência emocional: a sensação de que nossas necessidades de conexão não estão sendo atendidas. Muitas pessoas gostam de momentos a sós e não se sentem solitárias. Outras estão sempre acompanhadas e se sentem profundamente sós.

A solidão tem menos a ver com a quantidade de pessoas e mais com a qualidade das conexões: sentir-se compreendida, aceita e importante para alguém.

O que pode estar por trás

  • Relações superficiais: muitas conversas, poucas trocas verdadeiras.
  • Dificuldade de mostrar o que sente: estar sempre bem para os outros, sem espaço para as próprias dificuldades.
  • Mudanças de vida: mudança de cidade, fim de relacionamento, filhos, aposentadoria.
  • Sentir-se diferente: não se reconhecer nos valores ou interesses das pessoas ao redor.
  • Padrões emocionais antigos: na Terapia do Esquema, o esquema de privação emocional descreve a sensação de que ninguém vai realmente cuidar de você ou entender o que você precisa.

Por que a solidão merece atenção

A solidão persistente pode afetar o humor, o sono, a autoestima e a saúde física. A Organização Mundial da Saúde reconhece a solidão e o isolamento social como questões de saúde pública. Ela também pode ser um dos sinais de depressão, especialmente quando vem junto com desânimo, perda de interesse e cansaço. Leia mais sobre depressão.

O que pode ajudar

  • Investir em poucas relações mais profundas, em vez de muitas superficiais.
  • Arriscar mostrar um pouco mais de você: contar algo difícil para alguém de confiança.
  • Buscar grupos com interesses em comum: esportes, voluntariado, cursos, grupos religiosos ou comunitários.
  • Observar o que você espera das pessoas e se tem comunicado essas necessidades.
  • Cuidar da relação consigo mesma: momentos a sós podem ser de encontro, e não só de vazio.

Quando procurar ajuda

Se a solidão é constante, se vem acompanhada de tristeza profunda, ou se você sente que não tem com quem contar, conversar com uma psicóloga pode ajudar a entender esse vazio e a construir conexões mais significativas. Se você tem pensamentos de não querer viver, ligue para o CVV (188).

Saiba mais sobre psicoterapia para depressão e desânimo e leia também Depressão não é falta de vontade.

Fontes e referências

Organização Mundial da Saúde — Commission on Social Connection (solidão e isolamento social como questão de saúde pública)

Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Organização Mundial da Saúde — Depressive disorder (depression)

CVV — Centro de Valorização da Vida

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.