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“Hoje estou bipolar.” “Meu chefe é bipolar, uma hora está bem e na outra grita.” A palavra virou sinônimo de mudar de humor rapidamente. Mas o transtorno bipolar é outra coisa: uma condição de saúde mental séria, com episódios que duram dias ou semanas, e que tem tratamento. Usar o termo de forma solta aumenta o estigma e dificulta que quem realmente precisa procure ajuda.

O que é o transtorno bipolar

O transtorno bipolar é caracterizado por episódios de alteração do humor e da energia, que representam uma mudança clara em relação ao jeito habitual da pessoa. Entre os episódios, muitas pessoas voltam ao seu funcionamento habitual, por períodos que podem ser longos.

Como são os episódios

Mania: um período de pelo menos uma semana (ou menos, se houver necessidade de internação) com humor muito elevado, expansivo ou irritável e energia aumentada. Pode envolver menos necessidade de sono, fala acelerada, pensamentos rápidos, grandiosidade, impulsividade, gastos excessivos e comportamentos de risco. Pode levar a prejuízos graves.

Hipomania: parecida com a mania, mas mais leve e mais curta, com duração de pelo menos quatro dias, sem prejuízo tão grave. Às vezes, a própria pessoa vê como uma fase “muito produtiva”.

Depressão: episódios de humor deprimido ou perda de interesse, cansaço, alterações de sono e apetite, culpa e, às vezes, pensamentos de morte. Saiba mais sobre depressão.

Tipos de transtorno bipolar

  • Tipo I: há pelo menos um episódio de mania. Episódios depressivos são comuns, mas não obrigatórios para o diagnóstico.
  • Tipo II: há episódios de hipomania e de depressão, sem mania. A depressão costuma ocupar mais tempo e causar muito sofrimento.
  • Ciclotimia: oscilações mais leves e persistentes, por pelo menos dois anos em adultos.

O que não é bipolaridade

  • mudar de humor várias vezes no mesmo dia por causa de acontecimentos;
  • ser uma pessoa irritável ou “de lua”;
  • ter dias bons e dias ruins.

Emoções que mudam rapidamente, ligadas a relações e acontecimentos, podem ter outras explicações, como ansiedade, estresse ou dificuldades de regulação emocional. Leia Borderline: muito além de “instabilidade emocional”.

Como é o tratamento

O tratamento do transtorno bipolar envolve acompanhamento psiquiátrico, com medicações estabilizadoras do humor e outras, conforme a avaliação médica. A medicação é central, e nunca deve ser interrompida ou ajustada sem orientação do médico.

A psicoterapia é uma aliada importante: ajuda a entender o transtorno, identificar sinais precoces de novos episódios, regular sono e rotina, lidar com o estresse, manter o tratamento e cuidar das relações e da autoestima. A família também pode participar, aprendendo a reconhecer sinais e a apoiar.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação se você percebe períodos de energia muito alta, pouca necessidade de sono e impulsividade, alternados com períodos de depressão, ou se alguém próximo observou essas mudanças. Durante um episódio de mania, a própria pessoa pode não perceber que algo está errado, por isso a observação de quem está perto é valiosa.

Saiba mais sobre psicoterapia para depressão e desânimo, e, se você é pai ou mãe de um filho adulto com o diagnóstico, conheça a orientação parental.

Fontes e referências

NICE — Bipolar disorder: assessment and management (CG185)

American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2023.

Organização Mundial da Saúde — Mental disorders

CVV — Centro de Valorização da Vida

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.