Em momentos de crise, se houver risco de se machucar ou pensamentos de morte, ligue CVV 188 ou, em risco imediato, SAMU 192. A psicoterapia não substitui os serviços de urgência.

Quem convive com o borderline costuma ouvir que “é assim mesmo” ou que “não tem jeito”. A pesquisa mostra outra coisa: há tratamentos psicológicos com bons resultados, e a Terapia do Esquema é um deles. Este texto explica como ela entende o borderline e como o tratamento costuma acontecer. Se ainda não leu, comece por Borderline: muito além de “instabilidade emocional”.

O que dizem os estudos

A Terapia do Esquema foi testada em estudos clínicos com pessoas com transtorno de personalidade borderline. Um estudo conhecido, publicado em 2006, comparou a Terapia do Esquema com outra psicoterapia especializada e encontrou bons resultados, com muitas pessoas apresentando melhora importante ao longo de três anos de tratamento. Estudos posteriores testaram também formatos em grupo e combinados.

Outras abordagens, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), também têm evidências. A escolha depende da avaliação, da disponibilidade e do que faz sentido para cada pessoa.

Como a Terapia do Esquema entende o borderline

A abordagem usa o conceito de modos: estados emocionais que tomam a frente em determinados momentos. No borderline, alguns modos costumam aparecer com frequência e mudar rapidamente:

  • A criança abandonada: uma parte que sente medo, solidão e desespero diante de qualquer sinal de afastamento.
  • A criança zangada ou impulsiva: uma parte cheia de raiva por necessidades não atendidas, que pode explodir ou agir sem pensar.
  • A voz punitiva: uma parte interna que ataca, humilha e diz que a pessoa merece sofrer.
  • O protetor desligado: uma parte que se desconecta para não sentir. Leia Desligar para não sentir.
  • O adulto saudável: a parte capaz de acolher, colocar limites e fazer escolhas. No começo, costuma estar fraca.

Entender esses modos ajuda a dar sentido a reações que pareciam caóticas. Não são “várias personalidades”, mas estados emocionais que todos temos, aqui em intensidade maior.

As etapas do tratamento

1. Vínculo e segurança. No começo, o foco está em construir uma relação de confiança com a terapeuta e em estratégias para lidar com crises. A terapeuta oferece uma presença estável, o que a abordagem chama de reparentalização limitada: atender, dentro dos limites da relação profissional, necessidades que não foram atendidas antes.

2. Trabalho com os modos. Aos poucos, a pessoa aprende a reconhecer os modos, acolher a criança abandonada, dar espaço à raiva de forma saudável, enfraquecer a voz punitiva e reduzir o desligamento. Técnicas experienciais, como a reescrita de imagens e o diálogo entre partes, são muito usadas.

3. Autonomia. Com o adulto saudável mais forte, o foco passa para a vida fora da terapia: relações mais estáveis, projetos próprios e a construção de uma identidade mais firme.

O que esperar do processo

  • Tempo: é um tratamento longo. Nos estudos, os processos costumam durar de um a três anos. Isso é conversado e revisto ao longo do caminho.
  • Altos e baixos: a melhora não é linear. Momentos difíceis não significam fracasso.
  • A relação terapêutica como ferramenta: sentimentos em relação à terapeuta, inclusive medo de abandono ou raiva, são trabalhados na própria terapia.
  • Rede de cuidado: quando necessário, o acompanhamento é integrado com psiquiatria e com os serviços de saúde.

E a família?

Familiares e parceiros também sofrem e podem precisar de apoio próprio. Entender os modos ajuda a não levar tudo para o lado pessoal e a responder com mais firmeza e menos desgaste.

Saiba mais sobre a Terapia do Esquema e conheça os 18 esquemas.

Fontes e referências

Giesen-Bloo, J. et al. Outpatient psychotherapy for borderline personality disorder: randomized trial of schema-focused therapy vs transference-focused psychotherapy. Archives of General Psychiatry, 63(6), 2006.

Arntz, A. et al. Effectiveness of predominantly group schema therapy and combined individual and group schema therapy for borderline personality disorder: a randomized clinical trial. JAMA Psychiatry, 79(4), 2022.

Arntz, A.; van Genderen, H. Schema therapy for borderline personality disorder. Chichester: Wiley-Blackwell, 2009.

NICE — Borderline personality disorder: recognition and management (CG78)

CVV — Centro de Valorização da Vida

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.