Comida, sono, vacina, escola. As necessidades físicas das crianças costumam ser bem conhecidas. Mas existe outro conjunto de necessidades, tão importante quanto, que nem sempre recebe nome: as necessidades emocionais. Quando elas são atendidas de forma suficiente, a criança cresce com mais segurança para lidar com o mundo. Quando ficam sem espaço por muito tempo, podem deixar marcas que aparecem na vida adulta.
A Terapia do Esquema organiza essas necessidades em cinco grandes áreas. Conhecê-las ajuda pais e mães a entender comportamentos difíceis e a escolher como responder.
1. Vínculo seguro: segurança, carinho e aceitação
A criança precisa sentir que é amada, que alguém cuida dela de forma previsível e que pode contar com os adultos quando algo dá errado.
- presença e atenção, mesmo em momentos curtos do dia;
- colo e conforto quando ela está com medo ou triste;
- previsibilidade nas rotinas e nas reações dos adultos;
- a mensagem de que ela é aceita como é, inclusive quando erra.
2. Autonomia, competência e identidade
A criança precisa experimentar fazer sozinha, errar, tentar de novo e descobrir do que gosta.
- deixar que ela faça tarefas adequadas à idade, mesmo que demore mais;
- evitar resolver tudo por ela;
- valorizar o esforço, e não só o resultado;
- respeitar gostos e interesses diferentes dos seus.
3. Liberdade para expressar necessidades e emoções
A criança precisa saber que pode mostrar tristeza, medo e raiva sem ser ridicularizada ou punida por sentir.
- nomear as emoções: “você ficou frustrado porque acabou o tempo”;
- diferenciar sentir de agir: toda emoção é aceita, mas nem todo comportamento;
- evitar frases como “engole o choro” ou “isso não é nada”.
4. Espontaneidade e lazer
Brincar não é perda de tempo. É como a criança aprende, cria, se expressa e se conecta.
- tempo livre, sem tudo ser atividade programada;
- momentos de brincadeira com os adultos, ainda que breves;
- espaço para bagunça, criatividade e alegria.
5. Limites realistas e autocontrole
Limites também são uma necessidade emocional. Eles ajudam a criança a tolerar frustração, a considerar o outro e a se sentir segura.
- regras claras, explicadas de acordo com a idade;
- consistência, sem mudar a regra a cada dia;
- firmeza com calma, sem humilhação ou violência.
Leia Limites e acolhimento e Birra: como responder com calma.
Nenhuma família atende tudo, o tempo todo
Não existe infância sem frustrações, e não existe pai ou mãe perfeito. O que faz diferença é o padrão ao longo do tempo e a capacidade de reparar: reconhecer quando algo saiu errado, pedir desculpas e retomar o vínculo.
Também é comum que pais tenham mais facilidade com algumas necessidades e mais dificuldade com outras, muitas vezes ligadas à própria história. Quem não teve espaço para chorar, por exemplo, pode sentir desconforto quando o filho chora. Perceber isso não é motivo de culpa: é um ponto de partida. Leia Culpa materna.
Como a orientação parental pode ajudar
A orientação parental com base na Terapia do Esquema ajuda a entender quais necessidades estão por trás dos comportamentos do seu filho e como a sua própria história influencia suas reações. Para entender como esses temas aparecem na vida adulta, conheça os 18 esquemas.
Fontes e referências
Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.