Você começa uma tarefa e, em minutos, está em outra. Esquece compromissos, perde objetos, sente a cabeça acelerada e o corpo inquieto. Depois de ver alguns vídeos nas redes, surge a dúvida: “será que eu tenho TDAH?”. Ou será ansiedade? A pergunta é legítima, porque os sinais realmente se parecem, e as duas condições também podem aparecer juntas.

O que é o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento. Isso significa que ela começa na infância, ainda que só seja percebida na vida adulta. Envolve um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade, presente em diferentes contextos, como casa, trabalho e relações, e que causa prejuízo.

Em adultos, a hiperatividade costuma aparecer menos como correr e pular, e mais como inquietação interna, dificuldade de esperar e de ficar parado em reuniões longas.

O que é a ansiedade

A ansiedade é uma resposta de alerta diante de ameaças, reais ou imaginadas. Quando é intensa e persistente, a mente fica ocupada com preocupações, o corpo fica tenso e a concentração diminui. Leia Ansiedade: quando a preocupação começa a ocupar espaço demais.

Por que os sinais se confundem

As duas condições podem causar dificuldade de concentração, inquietação, problemas de sono, procrastinação e sensação de sobrecarga. Algumas diferenças costumam ajudar na avaliação:

  • Desde quando: no TDAH, as dificuldades existem desde a infância, mesmo que de forma mais leve. Na ansiedade, podem surgir ou piorar em fases específicas da vida.
  • Por que a atenção falha: no TDAH, a atenção escapa mesmo em situações tranquilas, especialmente em tarefas pouco interessantes. Na ansiedade, a atenção é capturada pelas preocupações.
  • Quando melhora: na ansiedade, a concentração tende a melhorar quando a pessoa está calma. No TDAH, a dificuldade continua mesmo sem preocupação.
  • Interesse intenso: no TDAH, é comum conseguir se concentrar por horas em algo muito interessante, e travar em tarefas chatas.

Essas pistas não substituem a avaliação. Elas apenas mostram por que é preciso olhar com cuidado.

Quando os dois aparecem juntos

É comum que adultos com TDAH também tenham ansiedade. Anos de esquecimentos, atrasos, críticas e esforço extra para dar conta podem gerar preocupação constante e medo de falhar. Leia TDAH e autoestima.

Outras condições também podem afetar a atenção, como depressão, alterações do sono, uso de substâncias, problemas de tireoide e efeitos de medicamentos. Por isso, a avaliação considera várias possibilidades.

Como é a avaliação

O diagnóstico de TDAH em adultos é clínico, feito por médico psiquiatra ou neurologista, muitas vezes com apoio de avaliação psicológica ou neuropsicológica. Envolve entrevistas detalhadas sobre a história desde a infância, informações de pessoas próximas quando possível, escalas e a investigação de outras causas.

Testes online não fazem diagnóstico. Eles podem aumentar a ansiedade ou gerar rótulos errados. Se você se identificou, o melhor caminho é procurar uma avaliação profissional.

Como é o cuidado

O tratamento do TDAH em adultos pode envolver medicação, por indicação médica, e psicoterapia. A Terapia Cognitivo-Comportamental tem estudos mostrando benefícios para adultos com TDAH, com foco em organização, planejamento, procrastinação e regulação emocional. Quando há ansiedade junto, ela também é trabalhada.

Saiba mais sobre psicoterapia para ansiedade e leia também Por que eu procrastino mesmo querendo fazer?.

Fontes e referências

NICE — Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87)

American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2023.

Organização Mundial da Saúde — Anxiety disorders

Safren, S. A. et al. Cognitive behavioral therapy vs relaxation with educational support for medication-treated adults with ADHD and persistent symptoms: a randomized controlled trial. JAMA, 304(8), 2010.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.