Ela não para quieta na escola. Ele ainda não fala tanto quanto os colegas. As birras parecem mais intensas que as dos primos. A professora sugeriu procurar um psicólogo. Diante dessas situações, muitos pais ficam em dúvida: é uma fase? É algo que precisa de avaliação? Ou somos nós que precisamos de ajuda para lidar? Este texto ajuda a pensar nesses caminhos, que muitas vezes se complementam.
Cada criança tem seu ritmo, mas há marcos
O desenvolvimento infantil varia de criança para criança. Ainda assim, existem marcos esperados para cada idade, como sorrir, sentar, andar, falar, brincar com outras crianças. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, traz esses marcos, e o pediatra acompanha o desenvolvimento nas consultas de rotina.
O pediatra costuma ser o primeiro profissional a procurar diante de dúvidas sobre o desenvolvimento.
Quando buscar avaliação para a criança
- atrasos importantes na fala, na coordenação motora ou na interação social;
- perda de habilidades que a criança já tinha;
- dificuldades persistentes de aprendizagem ou atenção, em vários ambientes;
- medos, tristeza ou irritação intensos que duram semanas e afetam a rotina;
- mudanças bruscas de comportamento, especialmente após eventos difíceis;
- comportamentos agressivos frequentes ou que colocam a criança ou outros em risco;
- suspeita de que a criança sofreu violência.
Nesses casos, a avaliação pode envolver pediatra, neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo e outros profissionais, conforme a necessidade. Em situações de violência, procure também o Conselho Tutelar ou o Disque 100.
Quando a orientação parental pode ser o começo
Muitas dificuldades do dia a dia não exigem que a criança faça terapia. Elas pedem que os adultos encontrem novas formas de lidar com a situação. A orientação parental pode ser um bom começo quando:
- as birras, os conflitos ou a desobediência estão desgastando a família;
- os pais discordam sobre como educar;
- há dificuldade com rotina, sono, alimentação ou telas;
- a família está passando por mudanças, como separação, mudança de casa ou chegada de um irmão;
- os pais se sentem perdidos, culpados ou exaustos.
Os dois caminhos podem caminhar juntos
Mesmo quando a criança precisa de avaliação ou acompanhamento próprio, os pais continuam sendo fundamentais. A orientação parental pode complementar o tratamento da criança, ajudando a família a aplicar estratégias em casa e a lidar com as próprias emoções.
E, ao longo da orientação, se surgirem sinais de que a criança precisa de avaliação, o encaminhamento é feito para os profissionais adequados.
Buscar ajuda não é fracasso
Pedir ajuda não significa que você é uma mãe ou um pai ruim. Significa que você está atento ao que seu filho e sua família precisam. Leia também Culpa materna e Esgotamento de quem cuida.
Saiba como funciona a orientação parental, com primeiro encontro online.
Fontes e referências
Ministério da Saúde — Caderneta da Criança
Disque 100 — Disque Direitos Humanos (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania)
Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.